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O sonho recorrente

há 3 horas
3 min de leitura

Foto de Emma Simpson na Unsplash


Você já teve algum sonho recorrente que, mesmo em formatos diferentes, insistia em aparecer durante suas noites?

Isso aconteceu recentemente comigo. Mas, antes de falar especificamente desse sonho, você precisa saber que a minha relação com os sonhos noturnos vem sendo profundamente construída desde os meus 12 anos.

Desde muito nova, eu tinha curiosidade por tudo o que se relacionava ao comportamento humano e, assim, deparei-me com Freud e o Caso Dora. Obviamente, eu não entendia boa parte do que estava lendo, mas uma coisa ou outra fazia algum sentido, e criei o hábito de anotar os meus sonhos.

De modo geral, algumas linhas da psicanálise compreendem o sonho como uma forma de contato simbólico com questões do nosso inconsciente. É como se o sonho estivesse codificado e coubesse a nós traduzi-lo a partir da nossa própria simbologia.

Bom, dito isso, e deixando para outro momento a explicação sobre os sonhos, quero falar do meu sonho recorrente: voltar para casa!

Durante quase um ano, tive repetidas vezes o mesmo sonho, ou melhor, o mesmo enredo. Ao me recordar dos sonhos noturnos, percebia imagens diferentes, mas sempre a mesma trama. Em todos, eu tinha apenas um objetivo: voltar para casa.

Nos primeiros sonhos, eu sentia medo e estava em lugares escuros. Algumas figuras masculinas vinham para me ajudar, mas, progressivamente, algo mudava a cada sonho: eu estava sozinha e via um caminho à minha frente.

Desde então, os sonhos passaram a girar em torno da visão desse caminho e do objetivo de voltar para casa. Bicicleta, moto, carro e outros meios de transporte eram usados, mas havia sempre o mesmo objetivo e uma direção a seguir.

Paralelamente, em minha vida, eu vivia um movimento interior: uma busca intensa por fazer mais coisas de que gosto e por resgatar meus sonhos e meus desejos mais profundos, que eu havia guardado para poder lutar pela sobrevivência; algo comum, não?

Eu caminhava pelo mundo preocupada com as contas que tinha de pagar, com as pessoas que dependiam de mim e com o fato de não ter com quem contar financeiramente. Então, sonhos e desejos que não pagavam boletos ficaram em uma gaveta, longe da estante de prioridades.

Mas, naquele momento, já conseguindo pagar os meus boletos, algo dentro de mim pedia mais, fosse a alma, o self ou como se queira chamar. E eu estava, e ainda estou, nessa jornada em busca de coisas que preencham mais a alma do que o bolso.

Esse sonho retratava simbolicamente a minha jornada. Era como se o meu inconsciente implorasse para que eu continuasse a busca pela "minha casa", ou seja, por quem sou e pelo que quero fazer além de pagar as minhas contas. Quem sou eu para além de todas as personas e personagens que desempenho diariamente para sobreviver?

Hoje, estou vivendo este sonho na realidade, caminhando diariamente tentando encontrar esses aspectos abandonados ou esquecidos. A cada dia, uma descoberta diferente: a recente paixão pela língua francesa, ou observando o que antes eu chamaria de esquisitices, e talvez sejam: só estacionar em lugares bem específicos. Mas agora eu não me importo mais com julgamentos, só quero conhecê-las e não mais mascará-las.

E aqui estou, vivendo a minha jornada de volta para casa: escrevendo. Como parte fundamental desse processo, a escrita é um dos seus pilares.

E desde então, nunca mais tive este sonho noturno.

 



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